"Qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."
- João Guimarães Rosa

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dor miofascial

Todos já sentiram, em algum momento de maior tensão ou preocupação, seus músculos do pescoço e ombros ficarem duros e doloridos. Muitas vezes, podem até ser notados caroços no interior da musculatura. Geralmente após a passagem do período de maior stress, estes músculos relaxam.

Porém, algumas vezes estes caroços permanecem nos músculos por um tempo maior, levando a uma dor crônica localizada, com diminuição do movimento daquele músculo. Denomina-se este tipo de problema de dor miofascial, e estes nódulos nos músculos são chamados de pontos-gatilho.

Quando se pensa em dores musculares localizadas, geralmente não se considera que as mesmas podem ser intensas e prolongadas – a pergunta que se ouve é: como isso pode ser somente uma dor muscular? Mas na verdade, a dor miofascial pode ser até incapacitante em alguns casos.

Tudo começa com alguma agressão ao músculo, como um trauma, torção ou outro movimento brusco. O músculo reage com um ponto de contração intensa e localizada – o “ponto-gatilho”. Esta região começa a ficar muito dolorida e um círculo vicioso é formado – a dor leva à contração muscular, que leva à maior dor, e assim por diante. Uma outra característica da dor miofascial é que dependendo de cada músculo envolvido, existe uma irradiação da dor para outros locais do mesmo músculo; isso pode simular outros problemas de saúde, muitas vezes os mais comuns.

Por exemplo, um ponto-gatilho situado no músculo trapézio, que está na parte de trás do pescoço, produz uma dor irradiada para a cabeça, olhos e testa – o que pode ser confundido com uma enxaqueca. Um outro ponto, agora no músculo piriforme, que é parte da nádega, irradia sua dor para a coxa e perna podendo simular uma ciática, e assim por diante.

O diagnóstico da dor miofascial é clínico, com a palpação dos pontos gatilho dos músculos envolvidos. Não se deve confundir estes pontos-gatilho com os pontos dolorosos da fibromialgia, que não apresentam dor irradiada e não formam nódulos.

O tratamento da dor miofascial consiste em alongamentos, atividade aeróbica e massagens locais. Relaxantes musculares podem ser usados. Uma técnica comumente utilizada é o agulhamento dos pontos gatilho com lidocaína, que induz ao relaxamento dos mesmos.

O tratamento deve ser instituído rapidamente, pois a cronicidade dos pontos-gatilho é uma das principais causas que levam a um processo de sensibilizar o sistema nervoso central e dores mais difusas, como a Fibromialgia.

Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba.


Dor Miofascial


Profa. Amélia Pasqual Marques

Histórico e definição
Em 1943 FRORIEP descreveu a existência de áreas dolorosas e tensas sobre os músculos e em 1898, STRAUSS relatou que nenhum estudo anatômico obteve sucesso em documentar a presença de um depósito de tecido conjuntivo que viria a explicar os "cordões" tensos e palpáveis encontrados nos músculos. Em 1931, LANGE  descreveu detalhadamente a distribuição, origem e patologia do que mais tarde, em 1959, foi denominado por STEIDER como ponto-gatilho, um dos componentes desta síndrome. (TEIXEIRA, 1995).
Em 1939, o conceito de dor referida, começa a surgir através das observações clínicas de KELLGREN, que encontrou áreas dolorosas distantes dos pontos sensíveis.  Outros autores, GUTSTEIN e KELLY, conceituaram e descreveram os pontos gatilho, a reação do paciente à palpação e a dor referida (PULLEN, 1992a).


Conceito: A síndrome dolorosa miofascial é definida como uma disfunção neuromuscular regional que tem como característica a presença de regiões sensíveis em bandas musculares contraturadas/tensas que produzem dor referida em áreas distantes ou adjacentes.  Esta dor miofascial pode se originar em um único músculo ou pode envolver vários músculos, gerando padrões complexos e variáveis de dor (WOLENS, 1998).  


Etiologia: Vários fatores são precipitantes: traumas (macro e micro traumas), infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, alterações biomecânicas apendiculares (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e axiais posturais, distensões crônicas, esfriamento de músculos fatigados, miosite aguda, isquemia visceral (ZOHN, 1988). Outras causas  incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C, complexo B, estrógeno,  K+ e Ca+ , anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, estress emocional, tensão fadiga, inflamação, deficiência muscular (MANNHEIMER E LAMPE, 1984; FISHER, 1986).  Estes fatores não corrigidos, podem perpetuar a dor miofascial (ZOHN, 1988).


Componentes da Sindrome Miofascial 
A síndrome miofascial tem componentes essenciais: ponto-gatilho, espasmo muscular segmentar, dor referida e o envolvimento de partes moles.
SIMONS (1990) apud MUSSE (1995) estabeleceu cinco componentes que podem ser usados como critério diagnóstico:
1. Queixa de dor regional 2. Queixa dolorosa ou alteração sensorial na distribuição de dor referida esperada 3. Banda muscular tensa palpável 4. Ponto dolorido na banda muscular 5. Restrição de alguns graus de amplitude de movimento (ADM)


Há três critérios menores:
1. Reprodução de queixa durante pressão no ponto 2. Contração durante inserção de agulha ou palpação transversal do ponto na banda 3. Alívio da dor pelo estiramento do músculo.


Pontos-gatilho:  As zonas de pontos-gatilhos foram primeiramente descritas em 1936 com a reprodução de dor referida para ombro e braço por pressão na área superior da escápula.  Travel relata estudos sobre estes pontos desde 1942.
O ponto gatilho é um lugar irritável, localizado em uma estrutura de tecido mole, mais freqüentemente no músculo, caracterizado por baixa resistência e pela alta sensibilidade em relação a outras áreas (FISHER, 1995a).  Quando se estimula esse ponto por 30 segundos com uma pressão moderada, surge uma dor referida. 
Um ponto gatilho é dito ativo quando é um foco de hiperirritabilidade sintomática no músculo ou fáscia com padrão de dor referida (dor espontânea ou ao movimento, diminuição da ADM, diminuição de força, dor à palpação e bandas tensas).  O ponto em forma latente não causa dor, mas pode tornar-se ativo por qualquer evento (trauma, estresse), gerando a dor referida.  


Fisiopatologia do ponto-gatilho: Há várias teorias: liberação de Ca +2, Inflamação neurogênica, abertura das comportas, desfacilitação do fuso, modificação no SNC, reflexos viscerossomáticos e somatoviscerais e dor referida e Sinais de SNA e memória.
Das teorias referidas a mais aceita é a liberação de Ca +2 e afirma que os pontos ativos podem ser iniciados por um trauma que localmente abre o retículo sarcoplasmático, liberando Ca +2.  Este Ca +2 combina-se com o ATP para continuamente ativar os mecanismos locais de contração, gerando deslizamento e interação de actina e miosina com encurtamento do feixe muscular afetado.  Isto causa uma contratura local (banda tensa), ou seja, a ativação de miofilamentos sem atividade elétrica e controle neurogênico.  Esta atividade gera alto gasto energético e colapso da microcirculação local.  O consumo energético sob condições de isquemia leva à depleção de ATP o que impede a recaptação do Ca +2  pelo retículo - ciclo vicioso autosustentado (Musse, 1995).  


FIBROMIALGIA  X  SINDROME MIOFASCIALDiferenças entre Fibromialgia e Síndrome dolorosa Miofascial
CaracterísticasFibromialgiaSíndromeDolorosa Miofascial
DistribuiçãoSimétrica e dores difusasAssimétrica e local em pontada
SexoMais mulheres (>80%)Ambos os sexos
IdadePreferencialmente 40-60 anosQualquer idade
Localização18 tender pointsPontos gatilhos/trigger points
Algometria4 kg de pressãoLimiar de dor - 2 Kg
RadiaçãoEspalhada/crônicaEm pontos específicos
Espasmo muscularGeralmente nãoPresente com encurtamento
Fraqueza muscularIncomumComum
ADMNão restritaSempre restrita
Atividade muscularDor difusaDolorida em áreas
Contração local à palpaçãoAusenteFreqüente
Outros sintomasFadiga, distúrbio do sono, dor,  rigidez matinalBaixa resistência da pele


AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA  
Utiliza-se a história clínica  onde são obtidos dados gerais do paciente e o exame físico. Como as queixas principais são dor, limitação de movimento e fraqueza muscular, é importante avaliar estes aspectos para serem avaliados inicialmente e reavaliados ao longo do tratamento.
* Anamnese
* Avaliação da dor - escala analógica visual de dor, Questionário de dor da McGill e dolorimetria * Avaliação da amplitude de movimento - goniometria * Avaliação funcional -  o HAQ tem sido utilizado em outras patologias reumáticas como por exemplo a artrite reumatóide.


TRATAMENTO
O tratamento pode ser dividido em três fases:
* inativação do ponto gatilho * reabilitação muscular * remoção preventiva de fatores perpetuantes * Inativação dos pontos gatilho - feitas através de injeção com anestésicos ou solução fisiológica salina seguida por alongamento e calor. Esta técnica produz alivio rápido. O spray tem-se mostrado efetivo associado com alongamento.  A terapia manual também é citada através da pressão nos pontos gatilhos, fricção profunda e alongamento muscular. * Restauração da amplitude de movimento e força muscular - alongamento Analgesia - Além das citadas o TENS, ultrasom, laser (a mais popular), acupuntura, manipulação com agulha, calor seco e úmido e biofeedback. * Remoção preventiva de fatores perpetuantes  - A educação do paciente de modo a previnir e lidar com as possíveis crises e também bloquear os fatores perpetuantes ou precipitantes.


Conclusão O ponto gatilho miofascial é a causa, o sintoma e o diagnóstico-padrão para a patologia, sendo também a resposta terapêutica das diferentes modalidades e não tem sido apropriadamente avaliada.  O exame desta síndrome é difícil e o diagnóstico é basicamente clínico.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Espondiloterapia


Quem já não sofreu com dores na coluna? Muitas pessoas tentaram de tudo para acabar com o mal sem obterem sucesso. As dores, quando persistem, podem até abalar o bom humor. Uma alternativa para solucionar esse problema é a Espondiloterapia, que propõe aliviar as dores e corrigir os desvios da coluna, além de beneficiar os reflexos do paciente.


A Espondiloterapia (espondilo, do grego, significa vértebra e terapia, tratamento) foi desenvolvida ao longo de 20 anos, com base na prática de terapias corporais variadas, como drenagem linfática, yôga e shiatsu. Pessoas de qualquer idade ou sexo podem usufruir os benefícios da terapia, independente do problema de coluna que sofram.


A modalidade relaciona cada uma das vértebras aos órgãos internos do corpo humano. O terapeuta identifica inflamações ou sub-luxações nas vértebras e as associa a problemas nos órgãos a que estão relacionadas, tratando-as com a técnica. Segundo especialistas, as 33 vértebras da coluna correspondem a distintos órgãos humanos.


O tratamento dura em média 10 sessões individuais com cerca de 50 minutos cada. Antes de iniciar as sessões, o terapeuta faz uma avaliação detalhada das condições vertebrais do paciente. Com o diagnóstico em mãos, inicia a sessão com técnicas de relaxamento da musculatura (aplicações de shiatsu, massoterapia ou acupuntura). Em seguida são realizados alongamentos passivos feitos pelo terapeuta. Por último, seguem as trações manuais, em baixa velocidade, com movimentos de extensão para alinhar a coluna vertebral.


Os resultados podem ser obtidos já na primeira sessão ou, no máximo, em quatro. As correções de desvios da coluna, como cifose, lordose e escoliose demandam um tratamento mais longo, podendo levar no mínimo um ano, com sessões semanais.


A Espondiloterapia também é de grande utilidade para atletas e esportistas. Ela pode prevenir as lesões vertebrais e aliviar dores de possíveis lesões, com toques profundos e suaves nas estruturas dos músculos, tendões e nervos.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Benefícios da massagem para idosos

A massagem para os idosos oferece TODOS os benefícios já conhecidos pelos clientes mais jovens, em particular a massagem para os idosos é ainda mais eficaz devido aos desafios tanto emocionais quanto físicos que os idosos experimentam. A grande maioria dos idosos é sedentário, muitas vezes por dolorosas artrites, dificuldade de equilíbrio ou problemas circulatórios. A massagem suave, mas estimulante, trazer alguns dos resultados que seriam conseguidos através de exercícios. Pesquisas indicam que o contato social é um componente chave da saúde e felicidade dos idosos. "O isolamento é um poderoso fator de risco para aqueles que já tem a saúde debilitada", de acordo com a crônica "Envelhecendo com sucesso" , o qual trás os resultados de um estudo da Fundação MacArthur. O contato periódico entre o massoterapeuta e o paciente, pode ser parte significativa desta rede de necessidades que o idoso requer. O idoso sabe que pelo menos uma vez por semana ele ou ela receberá atenção totalmente focalizada ao seu cuidado individual, ele se sentirá único e valorizado. Recentemente, Marjorie, 81 anos, me disse: "Eu acordo no meio da noite com uma dor terrível a penso em você. Eu sinto que só consigo relaxar porque sei que logo estarei recebendo seus cuidados. Eu uso gelo e calor como você sugeriu e então volto para a cama para dormir."
"Envelhecer não é para os medrosos", dizem muitos dos meus pacientes. Dar massagem terapêutica para idosos também não é para medrosos, é tão gratificante quando exigente. Requer do profissional massoterapeuta um interesse verdadeiro da vida dos pacientes idosos, participar do restabelecimento de deficiências físicas e desta forma ser convidado a ingressar no mundo dos idosos, tratando-os com dignidade, não importando suas excentricidades ou circunstâncias. Um dos comentários de Rose ilustra muito bem porque eu continuo neste campo por tantos anos. Um dia depois de receber massagem, Rose e eu estávamos sentados, um de frente para o outro realizando alguns alongamentos nos ombros pois ela estava sentindo dor por causa da rigidez. Ela disse: "Eu sinto minha chama novamente, olhando para mim com atenção." então ela apontou para o seu peito e disse "Sua vinda aqui faz com que minha vontade de viver não se apague." Fonte: American Massage Therapy Association (AMTA), Journal Joan S. Lohman, é membro da AMTA há 12 anos e vem trabalhando com idosos há 15 anos. Lohman é certificada pelo Rosen Method Bodywork, que respeita conexão existente entre tensão muscular, respiração e cargas emocinais.

Fonte: http://www.sitemedico.com.br/site/saude/terceiraidade/6199-beneficios-da-massagem-para-idosos